Quais são os fatores que montam a conta?
A operadora não parte de um preço e dá desconto. Ela monta o valor a partir de variáveis, e cada uma delas responde por uma parte da conta. Entender quais são ajuda a saber o que dá para mexer e o que não dá.
Idade de cada pessoa
É o fator que mais mexe no valor. São dez faixas etárias definidas pela Resolução Normativa 63 da ANS, e a última começa aos cinquenta e nove anos. O valor da última faixa não pode passar de seis vezes o valor da primeira, e a variação acumulada da sétima à décima faixa não pode superar a variação acumulada da primeira à sétima.
Cidade onde o plano é usado
Preço acompanha custo hospitalar e concorrência entre operadoras na praça. A mesma operadora com o mesmo produto cobra valores diferentes em praças diferentes, porque a rede que ela precisa pagar não é a mesma.
Rede credenciada escolhida
É aqui que a conta se decide. A mesma operadora costuma ter uma escada de linhas, e a diferença entre a linha de entrada e a de topo é o hospital de referência que entra em uma e não entra na outra.
Acomodação em caso de internação
Enfermaria, que é quarto coletivo, custa menos que apartamento. É uma escolha de conforto e não de cobertura: o que o plano é obrigado a cobrir não muda entre as duas.
Coparticipação
Mensalidade menor em troca de uma cobrança por consulta ou exame usado. Para quem usa pouco costuma fechar o ano abaixo do plano sem coparticipação, e para quem usa muito costuma fechar acima.
Forma de contratar
Individual e familiar, coletivo empresarial e coletivo por adesão têm tabelas diferentes para a mesma rede. É a alavanca de preço mais forte, e é também a que mais muda as regras do contrato.
Quantas faixas etárias existem e o que a norma limita?
São dez faixas, definidas pela Resolução Normativa 63 da ANS e válidas para contratos a partir de dois mil e quatro: de zero a dezoito, de dezenove a vinte e três, de vinte e quatro a vinte e oito, de vinte e nove a trinta e três, de trinta e quatro a trinta e oito, de trinta e nove a quarenta e três, de quarenta e quatro a quarenta e oito, de quarenta e nove a cinquenta e três, de cinquenta e quatro a cinquenta e oito, e de cinquenta e nove anos em diante.
A norma não fixa um percentual máximo de aumento. Ela limita a proporção entre as faixas, e esse é o ponto que quase toda página de concorrente escreve errado.
- O valor da última faixa não pode ser superior a seis vezes o valor da primeira
- A variação acumulada da sétima à décima faixa não pode superar a variação acumulada da primeira à sétima
- O contrato precisa trazer as faixas e o percentual de cada uma desde a assinatura
- Quem passou dos sessenta anos e tem mais de dez anos no mesmo plano não recebe novo reajuste por mudança de faixa
Por que a porta de contratação muda tanto o valor?
Para a mesma rede, o contrato coletivo costuma entrar com mensalidade menor que o individual. O motivo é que o risco se dilui num grupo e a tabela coletiva é negociada, não tabelada.
Isso não faz do coletivo a melhor escolha sempre. O que o coletivo economiza na entrada ele devolve em previsibilidade: contrato coletivo não tem teto de reajuste, enquanto o individual tem teto anual definido pela ANS e só pode ser reajustado no mês de aniversário, por operadora autorizada.
A comparação útil coloca os dois cenários lado a lado: o da assinatura e o da terceira renovação. Quem compara só a entrada costuma trocar de plano todo ano e perder em carência recomeçada mais do que ganhou em desconto.
Como pagar menos sem perder a rede que você usa?
Existe economia legítima, que mexe no desenho do plano, e existe economia falsa, que só adia o problema. Estas cinco são do primeiro tipo.
- Conferir se a contratação pelo CNPJ está aberta hoje, quando existe empresa ou MEI com o prazo de atividade que a operadora exige
- Escolher a rede pelo endereço que a família de fato usa, em vez de pagar por hospital de referência que ninguém frequenta
- Considerar coparticipação quando o uso do plano é de poucas consultas por ano
- Ajustar a acomodação para enfermaria quando o quarto individual não for prioridade
- Comparar mais de uma operadora para o mesmo perfil antes de fechar, porque a mesma família tem preços bem diferentes entre marcas
Qual é o erro que faz o plano barato sair caro?
Olhar só a mensalidade. Um plano que não abre a porta do hospital que você usa não resolve no dia em que você precisa dele, e a essa altura trocar significa recomeçar o relógio da carência.
Quando a troca é feita na ordem certa, a portabilidade de carências permite levar o tempo já cumprido para outra operadora, sem recomeçar. Quando é feita na ordem errada, começando pelo cancelamento, não existe portabilidade a pedir.
Como saber o preço daqui a três anos?
Não dá para saber o número, e quem promete o número está inventando. O que dá para saber é a regra que vai produzir esse número, e ela é diferente em cada porta de contratação.
No individual e familiar, o teto anual é definido pela ANS e vale por um período de doze meses, aplicado no aniversário do contrato. No coletivo com até vinte e nove beneficiários, a operadora agrupa todos esses contratos e aplica um percentual único, divulgado por ela, pela Resolução Normativa 565. Em nenhuma das duas o reajuste pode vir em intervalo menor que doze meses, pela Resolução Normativa 557.
Além do reajuste anual existe o da mudança de faixa etária, que é outro evento e tem as regras da Resolução Normativa 63 descritas acima. Os dois podem acontecer no mesmo ano, e é isso que faz a conta subir mais do que a pessoa esperava.

